SÃO PAULO – O mercado de telefonia sobre protocolo de Internet (VoIP), disputado no País por Tellfree, GVT e Transit Telecom, aproveita a crise financeira global que atinge todos os setores da economia, e se prepara para crescer 48% no próximo ano, de acordo com estudo realizado pela consultoria americana Frost & Sullivan, especializada em telecomunicações.

A alta do setor será puxada pela busca do mercado por soluções que reduzam os custos em comunicação nas empresas e pela melhor qualidade da Internet banda larga brasileira, que vem passando por um processo de grande discussão entre a iniciativa privada e o governo para a massificação do serviço.

Raphael Barone, analista de pesquisa da Frost & Sullivan, explica que a tendência do VoIP é crescer cada vez mais, não apenas pelo cenário de crise, que com certeza atrairá empresas interessadas em reduzir gastos, mas também pela qualidade do serviço, que depois de anos, conquistou a confiança das companhias. “O mercado de VoIP no Brasil representa apenas 0,5% de todo o mercado de telefonia. Existe um grande potencial a ser explorado”, contou Barone.

A tecnologia VoIP pode reduzir em até 80% os custos com transferência de dados e voz de uma companhia, já que minimiza o caminho de uma ligação convencional. “Pode funcionar como um telefone comum. Temos aparelhos telefônicos que já vem com um adaptador interno, que converte o dado de voz para protocolo de Internet”, explicou Daniel Duarte, presidente da Tellfree, empresa que faturou, em 2007, R$ 7 milhões e projeta encerrar este ano com faturamento entre R$ 11 milhões e R$ 14 milhões.

O executivo acredita na possibilidade de crescimento do setor em meio à crise. “Estamos apostando e investindo neste bom momento [de crise] para o VoIP. Com certeza vamos colher esses frutos em 2009” disse Duarte.

A Tellfree somou R$ 8 milhões ao seu caixa no terceiro trimestre deste ano para iniciar 2009 capitalizada, além de reforçar as operações da companhia. O dinheiro veio do aporte do empresário Adriano Ometto nos negócios da empresa, que em outubro comprou 60% das ações da holding que controla a Tellfree. Duarte acredita que a entrada do novo acionista é positiva para o grupo, pois deve garantir os investimentos necessários para sustentar o crescimento dos próximos anos.

Seguindo a linha das que acreditam na crise para o desenvolvimento do VoIP, a holding GVT, que oferta serviços de telefonia IP e banda larga principalmente na região Sul do País, investiu este ano R$ 10 milhões para expandir sua atuação no fornecimento de soluções para “próxima geração”, como denominam as soluções de Internet para o público corporativo, que inclui a novidade Vox IP. “O principal diferencial dessa nova solução é que as ligações não circulam na rede pública da Internet e sim apenas dentro de uma rede privada, o que garante qualidade, facilidade de uso e rentabilidade” , explicou Alexander Montesdioca, gerente de desenvolvimento de produto corporativo. A expectativa é de atingir cerca de 200 novas empresas até o final de 2009.

Jorge Noboru, vice-presidente comercial da Transit Telecom, também está apostando no cenário frágil da crise econômica, e espera crescimento de 100% para o VoIP no próximo ano.

Além disso, Noboru confirma os investimentos da companhia e explica que até o final deste ano e também para o próximo, será investida uma importância que varia de R$ 7 milhões a R$ 10 milhões. “Para este ano já usamos cerca de 60% da média desse valor”, declarou.

Além da redução de custos, o VoIP também chama atenção por não exigir aportes iniciais dos contratantes do serviço. “O cliente não precisa investir em equipamentos. A Transit banca esse aporte inicial e vai diluindo nos pagamentos mensais de acordo com o tráfego do usuário”, disse.

A Transit tem mais de 45 mil clientes, e é a responsável pelo tráfego do Skype no Brasil, lider mundial em comunicação via Internet, que compete com os portais Terra, Yahoo! e Universo Online (UOL) no quesito bate papo telefônico diretamente conectado à Internet.

Credibilidade

Billy Souto, Diretor de Voz e Relações Internacionais da Matrix Telecom, contou que quando o mercado de VoIP chegou ao Brasil, há 10 anos, muitas empresas sem qualificação entraram no setor, prestando serviços de má qualidade, o que prejudicou a credibilidade da tecnologia. “Existe uma barreira significativa em relação à popularização dos serviços de telefonia IP devido à baixa qualidade de Internet ainda encontrada em várias regiões do Brasil”, disse. Souto explicou que também existem problemas regulatórios e questões de restrições técnicas e comerciais na prestação do serviço.

Ainda assim, o executivo acredita que o cenário está mudando graças ao sistema de pacotes de minutos, oferecidos pelas operadoras, que já incluem equipamentos necessários para a implantação da tecnologia, com o objetivo de subsidiar o serviço.

Ainda que a Matrix, seja uma empresa americana, controlada pela Primus Comunication, Souto garante que os investimentos no País serão mantidos, além de projetos de expansão para Africa e America Latina. “Haverá uma revisão de planejamento para o próximo ano, mas os investimentos serão mantidos. De uma forma ou de outra, acabamos ganhando com a troca de moedas”, ressaltou.

Ele conta que os maiores mercados potenciais das empresas de voz por protocolo de Internet são as pequeno e médio portes, que não têm condições de negociar preços mais baixos com as chamadas incumbents, grandes empresas de telefonia convencional do mercado, como Telefônica, que pertence à espanhola do mesmo nome e divide o controle da Vivo com a Portugal Telecom, Embratel, controlada pelo grupo mexicano Telmex, de Carlos Slim, Brasil Telecom (BrT) e Oi (ex-Telemar).

Fonte: Erika Sena
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