Qual o potencial, por exemplo, de uma “nova tecnologia” como o VoIP? Segundo a consultoria Frost & Sullivan, o mercado da América Latina (Brasil como ponta-de-lança), que faturou US$ 72,3 milhões em 2007, deve chegar a U$ 625,9 milhões em 2012. Nada mal, não é?

E quem, nessa cadeia, fornece serviços e produtos para redes de comunicação tem mesmo o que comemorar. Os negócios no Brasil estão num bom momento. O desempenho no segmento de telecomunicações é positivo tanto para quem atende clientes corporativos como residenciais.

No caso dos corporativos, a necessidade de comunicação cada vez mais veloz gera uma demanda maior por serviços de telecomunicações rápidos e confiáveis. Para atendê-los, estão a postos os prestadores de serviços para redes, parte fundamental dessa cadeia.

Conseqüentemente, esse aquecimento geral do mercado de telecom/ redes faz esses prestadores de serviços faturarem mais e lançarem novos produtos e serviços.

No caso dos clientes residenciais, o bom momento econômico e o conseqüente aumento da renda estão aumentando a massa de consumidores de serviços de Internet e TV por assinatura. Pelo quarto ano consecutivo, foi ampliada a base de assinantes de TV por assinatura, que no final de 2007 contava com mais de 5,3 milhões de domicílios, atendendo cerca de 16 milhões de telespectadores – a TV via cabo responde por 62% desse mercado.

Para se ter um comparativo, em 2004 eram “apenas” 3,8 milhões de assinantes. Devemos destacar ainda a concorrência, que possibilita a oferta desses serviços a preços menores, o que também contribui para o aumento da massa consumidora. E vale lembrar que existe um percentual muito grande da população sem condições de pagar por esses serviços, significando um amplo espaço para o crescimento dos negócios.

Lógico, o objetivo de quem é do setor é ter números e performance comparáveis aos grandes mercados, como o dos Estados Unidos, por exemplo. O mercado norte-americano, obviamente, é mais maduro – a TV a cabo começou na década de 50.

No Brasil, esse setor começou suas atividades no final da década de 80. Falando em números, nos EUA a penetração da TV paga é de cerca de 60% do total de residências onde o serviço é oferecido. Aqui no Brasil, essa penetração é de aproximadamente 25%. Diversos fatores podem explicar essa diferença.

A distribuição de renda é uma delas. Porém, vale a pena destacar também a chamada TV aberta. Nos EUA, algumas emissoras não cobrem todo o território. Aqui no Brasil, as principais redes cobrem o território nacional, com uma programação bem variada.

Nos EUA, a oferta de serviços banda larga e telefonia também acontece já faz um tempo, o que pode ser traduzido em números. Somente pelas operadoras de TV a cabo, estão conectados à internet banda larga cerca de 35 milhões de assinantes – 15 milhões são também assinantes de serviços de voz.

No Brasil, impulsionada pela venda dos chamados “combos”, as operadoras observam um aumento da penetração. Nos últimos quatro anos, o número de assinantes de serviços de TV paga subiu cerca de 11% ao ano. E as previsões da ANATEL são de manutenção desse ritmo de crescimento até 2018.

O número de assinantes de serviços de banda larga está crescendo, e chegou a 1,8 milhões no final de 2007 – eram 367 mil em 2004. Já os assinantes de serviços específicos de voz são cerca de 600 mil. Aqui vale destacar que o faturamento do setor cresce numa taxa maior à do número de assinantes, justificado pelo aumento do ARPU (Average Revenue Per User ou receita média por usuário) em função da oferta de novos serviços.

Segundo o Sindicato Nacional das Empresas Operadoras de Sistemas de Televisão por Assinatura (SETA) e da Associação Brasileira de Televisão por Assinatura (ABTA), em 2007 o faturamento bruto do setor foi de 6,7 bilhões de reais. Com esse desempenho, também não é de se excluir a exportação de produtos, serviços e projetos brasileiros na área de telecomunicações. Existem oportunidades reais para oferta de serviços e projetos, pois o Brasil possui experiência e conhecimento do mercado. Na América Latina, por exemplo, vários países estão em fase de implantação de redes, gerando uma grande demanda.

No geral, para poder se credenciar para oferecer esses produtos e serviços é preciso – sem trocadilho – estar “antenado” nas perspectivas e tendências do mercado internacional de telecomunicações, redes e multi-serviços. A convergência, por exemplo, é uma realidade.

E o aumento da transmissão de dados traz a necessidade de uma banda cada vez maior. Para a oferta de maiores velocidades de transmissão, as redes do tipo FTTX são a principal tendência do mercado, aproximando cada vez mais a fibra óptica do usuário final. No fundo, o futuro não está tão longe assim.

Fonte: Humberto Kapor
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